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Chamada de artigos para o dossiê temático “Etnografando experiências do adoecimento, medicalização e patologização no Brasil” PRORROGADA.

 
Equatorial, Revista do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFRN receberá contribuições na forma de artigos para o dossiê “Etnografando experiências do adoecimento, medicalização e patologização no Brasil”, a ser publicado na edição do segundo semestre de 2017.
 
Submissão PRORROGADA ATÉ 13 DE AGOSTO DE 2017, através do portal https://incubadora.ufrn.br/index.php/index/user. Para mais informações enviar mensagem para o endereço revistaequatorial@gmail.com (com cópia para equatorial@cchla.ufrn.br).

Normas da revista:
https://incubadora.ufrn.br/index.php/equatorial/about/submissions#authorGuidelines
 
Coordenadores:
Francisco Cleiton Vieira S. do Rego (PPGAS/UFRN) - cleiton.vsr@gmail.com
Tatiane Vieira Barros (PPGAS/UFSC) - tativiba@gmail.com
 
A presente proposta de Dossiê Temático visa reunir trabalhos resultados de pesquisas na área da Antropologia da Saúde, sejam finalizados ou em andamento. Compreender as agências dos atores e os domínios de saber-poder envolvidos no processo de cuidado em saúde, seus serviços de atendimento e tratamento, bem como demandas de sujeitos por direito em saúde constituem-se um profícuo objeto de investigação da disciplina.
Os distintos campos etnográficos através dos quais a antropologia observa a temática da saúde oferecem entendimentos que vão além de uma ideia biomedicalizante dos processos de adoecimento e classificação médica, e se aproximam de uma compreensão própria dos sujeitos. Possibilitando com isso a ênfase nas maneiras pelas quais as experiências com o adoecimento e/ou a aflição em saúde são vivenciadas, negociadas e partilhadas. Isto permite uma aproximação dos elementos simbólicos envolvidos nestes processos, que perpassam por aqueles tidos como doentes, os profissionais e os serviços de saúde.
Uma questão fundamental na perspectiva antropológica é deslocar o olhar que as ciências da saúde têm sobre o corpo e o adoecimento, atentando para a construção social e relacional destes, que articulam, também, sistemas terapêuticos e saberes não hegemônicos. Isto se faz necessário para entender o percurso da antropologia da saúde, sua discussão voltada para questões simbólicas do adoecimento, da medicalização e da patologização, que observa a relevância do contexto sociocultural tanto para compreender a doença ou aflição em si, quanto para a escolha das práticas de cura e cuidado. O que implica em reconhecer que o conceito de saúde não é universal, que a categoria doença é uma abstração e que o diagnóstico é uma das partes do processo de compreensão do adoecimento.
Nesse sentido, as discussões sobre medicalização, patologização de condutas, os processos de adoecimento e procura de cura são centrais à antropologia pois condensam aspectos teóricos e metodológicos que abordam as experiências de pessoas concretas. Permitindo, portanto, a pensar os sentidos, as narrativas, as práticas, os saberes e as políticas com as quais se lida com o adoecer e/ou com os regimes normativos através dos quais erigem-se doentes.
Deste modo, trabalhos etnográficos em saúde são cruciais por trazerem as multiplicidades e os agenciamentos existentes nesse campo onde o saber hegemônico da medicina acaba por padronizar e requerer cuidados e noções de saúde culturalmente situadas. Essas discussões têm sido de forte engajamento antropológico, tendo em suas variadas interfaces contemporâneas a necessidade de popularização.
Portanto, estimando acessar estes estudos é de interesse para o presente dossiê aglutinar textos etnográficos sobre: a experiência do adoecimento, as narrativas do sofrimento, a patologização de condutas, a construção e vivências de direitos em saúde por grupos de ativismo biossocial e pela despatologização, o adoecimento crônico, e o engajamento profissional e seus processos classificatórios e serviços de saúde.
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